Uma considerável parte dos acidentes de trabalho na atualidade está relacionada aos trabalhos em altura, sendo que o setor da construção civil é um dos principais responsáveis.

A informalidade na construção civil (contratos temporários, falta de treinamento e capacitação, etc) agrava a possibilidade de ocorrência de um acidente de trabalho.

Para a construção civil a NR 18 já dava um direcionamento para a segurança dos trabalhadores nas atividades desenvolvidas em altura, mas de forma não tão detalhada.

E ainda encontramos muitos canteiros de obras com pouca ou nenhuma preocupação com a segurança dos profissionais.

Com a publicação da NR 35, os trabalhadores tem a possibilidade de ter a segurança a seu favor nos trabalhos executados acima de 2 metros do nível inferior e com possibilidade de queda.

É importante que as equipes de segurança do trabalho implantem esta Norma como um todo e não pensando apenas nos equipamentos e capacitação, que são extremamente importantes, mas que se não estiverem aliados ao próprio executante da tarefa, de nada servirão.

O elemento humano é peça chave nesta discussão, pois mesmo um pequeno erro de julgamento pode ter consequências graves, principalmente quando estamos falando em altura.

A importância da avaliação para trabalho em altura

Ao citarmos o elemento humano, a primeira avaliação que deve ser feita é a aptidão do trabalhador.

De nada adianta a empresa contratar uma pessoa que tem medo de altura para trabalhar em torres de transmissão, ou outro claustrofóbico para fazer reparos em tanques.

Portanto, o primeiro questionamento: ‘Você tem medo de altura?’.

A NR 35 determina que a aptidão para trabalho em altura deva constar no ASO (atestado de saúde ocupacional) do trabalhador de acordo com os exames determinados pelo Médico do Trabalho, geralmente através de anamnese, exames físicos, exames complementares e alguns específicos (sistema neurológico, visão, sistema locomotor, medicações, etc).

A norma aponta a preocupação com a condição física do trabalhador no item “35.4.1.2 Cabe ao empregador avaliar o estado de saúde dos trabalhadores que exercem atividades em altura”, descrevendo nos subitens a necessidade de exames e avaliações (presentes no PCMSO), a periodicidade de acordo com os riscos de cada situação, além de outro fator muito importante: a condição psicossocial.

Nem só doenças como hipertenção, diabetes, labirintite ou problemas no coração devem ser consideradas.

Se o trabalhador está com problemas familiares, problemas financeiros, noites mal dormidas, é importante que seja feita uma avaliação se ele tem condições psicológicas para realizar a atividade naquele momento.

Muitos fatores podem afetar a pessoa negativamente, inclusive alguns tipos de medicações.

Portanto devemos sempre avaliar as condições físicas e mentais antes das atividades, não aguardando apenas os exames periódicos.

Por vezes, os próprios colegas podem dar indicações sobre a condição do trabalhador.

É importante que o SESMT esteja atento às ocorrências e comentários dos trabalhadores.

Portanto, um bom relacionamento com a equipe é essencial.

Não podemos dar um modelo pronto de como deve ser a avaliação física, quais exames deverão ser solicitados, periodicidade dos mesmos, pois as necessidades de cada empresa e atividade são únicas.

O médico deverá fazer a análise e determiná-los de acordo com cada atividade a ser desenvolvida.

Mas, se é sabido que o estado físico e psicológico de uma pessoa pode mudar repentinamente, interessante considerar uma breve avaliação (glicose, pressão e psicológica) antes da liberação de cada trabalho.

E lembrem-se sempre: documentem nas Permissões de Trabalho todos os passos definidos para a segurança dos trabalhadores, incluindo a avaliação clínica.

Desta forma, todos estarão mais protegidos.

Entendeu a importância da avaliação para trabalho em altura?

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Herbert Bento
Herbert Bento

O DDS Online foi fundado em 2009 e tornou-se referência no ramo de diálogos de segurança do trabalho. A missão do DDS Online é compartilhar as boas práticas de trabalho para que os brasileiros possam voltar sadios para suas famílias depois de um dia de serviço!