Já imaginou pegar uma doença por conta do sistema de ar-condicionado de um prédio? Para evitar isso, preparamos esse DDS sobre síndrome do edifício doente.

Ficar seriamente doente por causa do ar condicionado de um prédio parece uma situação quase impossível, não é?

Mas por conta da pandemia do Covid-19 esse assunto voltou a ser relevante e é sobre isso que iremos falar no DDS de hoje.

Vamos começar contando a história que aconteceu com o Dias Toffoli, que é Ministro do Supremo Tribunal Federal.

Recentemente, o ministro foi internado com suspeita de coronavírus, contudo, o diagnóstico foi de “pneumonite por hipersensibilidade”.

Essa condição é uma espécie de reação alérgica a partículas no ambiente.

Os médicos do ministro recomendaram que o STF fizesse uma avaliação do sistema do ar-condicionado do prédio do tribunal, pois a hipersensibilidade pode ter sido causada por fungos, ácaros ou bactérias no sistema de resfriamento.

Esse caso é um verdadeiro alerta para os perigos que a síndrome do edifício doente pode causar nos trabalhadores.

Síndrome do edifício doente – legislação

E o que a legislação brasileira diz sobre isso e como evitar que essa situação aconteça em outros locais?

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Voltando….o que a legislação brasileira diz sobre esse tema?

A Síndrome do Edifício Doente ganhou notoriedade após a morte de 34 pessoas e 182 contágios pela bactéria Legionella pneumophila.

Essas pessoas foram contaminadas pelo ar interno de um hotel na Filadélfia, nos EUA, através do sistema de ar-condicionado.

Refrigeração é algo bastante importante, especialmente no Brasil, contudo, também pode ser uma verdadeira arma em ambientes de trabalho, caso a manutenção não seja realizada de maneira correta.

Isso porque, um sistema de ar-condicionado que não é devidamente limpo é o ambiente perfeito para a proliferação de micro-organismos, como bactérias ou fungos.

Além dos micro-organismos, existem outros perigos.

Reservatórios de água, torres de resfriamento, serpentinas de ar-condicionado, infiltrações, vazamentos, etc.

Todos esses são exemplos de possíveis focos de agentes biológicos.

Também é importante restringir o acesso e controlar a população de animais como roedores, pássaros, morcegos, etc.

Todos eles são possíveis fontes de contaminação que podem, rapidamente, se espalhar por todo o prédio.

Prédios modernos terminam por ser muito mais  fechados, isso otimiza o gasto de energia com climatização, mas por outro lado, limita a troca do ar.

Sendo assim, para fornecer um ambiente de trabalho saudável para os colaboradores, é importante verificar se essas condições estão condizentes com o que determina a legislação.

Caso contrário, pode ser necessário implementar medidas pessoais ou coletivas para minimizar o risco.

Com tudo isso em mente, o que diz a legislação sobre os cuidados para evitar a “condição” do edifício doente.

Vou começar falando sobre uma das leis mais recentes e que afeta a grande maioria dos prédios.

Lei 13.589 de 2018

Trata sobre os Planos de Manutenção, Operação e Controle de ar-condicionado.

Portaria 3.523/1998 do Ministério da Saúde

Cria exigências quanto:

  • O número de ocupantes em ambientes refrigerados;
  • A carga térmica de cada equipamento;
  • As atividades que podem ser desempenhadas nesses espaços; e
  • Frequência de manutenção.

A ABNT também preparou diversas normativas sobre a temática do ar-condicionado dividida em 3 partes.

ABNT NBR 16401

A NBR 16401-1 que fala sobre a instalação dos sistemas de refrigeração, a parte 2 que fala sobre os parâmetros de conforto térmico e a parte 3 que é mais relevante para o assunto que estamos tratando que fala sobre qualidade do ar interior.

Essa legislação é especialmente relevante quando na fase de projeto dos ambientes onde o sistema de refrigeração será instalado.

Já para limpeza dos sistemas de condicionamento de ar e ventilação, temos a NBR 14679 de 2012 que traz os requisitos gerais para a confecção dos laudos que atestam o estado do sistema de refrigeração como também as exigências para empresas que fornecem esse serviço.

De forma similar a NBR 7256 trata dos requisitos mínimos para o tratamento de ar em estabelecimentos assistenciais de saúde, onde, as exigências são mais rígidas.

Sintomas

A síndrome do edifício doente pode causar uma série de sintomas em seus frequentadores como:

  • Dor de cabeça;
  • Fadiga;
  • Problemas de pele;
  • Irritação das vias aéreas;
  • Doenças respiratórios;
  • Vertigem;
  • Alergias diversas;
  • Infecções; dentre outros.

Para evitar que isso aconteça, é possível tomar uma série de atitudes. Por exemplo:

  • Manter o ambiente sempre limpo;
  • Fazer o controle da presença de compostos orgânicos voláteis dentro dos ambientes;
  • Utilizar produtos de limpeza biodegradáveis registrados no Ministério da Saúde;
  • Contar com um sistema de renovação de ar conforme as normas da ABNT que falamos antes;
  • Evitar acumular papéis como revistas, jornais etc.;
  • Evitar o uso de tapetes e carpetes.

Independente do ramo de atuação da empresa, somente ao seguir à risca as determinações das legislações que comentamos nesse vídeo, pode-se ter certeza de uma qualidade do ar segura para todos os trabalhadores!

Gostou do DDS de hoje?

Veja também:

Riscos químicos e biológicos no ambiente hospitalar, como se manter seguro?

Vídeo bônus


Herbert Bento
Herbert Bento

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